O cenário de hoje, 28 de março de 2020, me faz refletir sobre tantos outros já superados e até esquecidos. A história de Youngstown – Ohio (EUA) – cidade modelo do sonho americano do século XX, cantada por Bruce Springsteen, me veio à lembrança como um aviso.

De sua grande pujança econômica, integrando a região mais rica daquele país, conhecida então como o Cinturão de Aço Norte Americano, teve sua derrocada marcada pela assinatura de um simples decreto, em 1977. A partir daquele momento fechavam-se as usinas locais e a cidade entraria em agonia. Como resultado disso, até hoje Youngstown está longe de voltar a integrar a lista de cidades mais atrativas da América.

Como a história de Youngstown (EUA) pode nos ensinar a superar a crise do Coronavírus

Fonte da imagem: beltmag.com

Homenagem ao trabalhador extinto, como assim?

Diz-se que lá há um museu que “homenageia” o operário padrão daquela época como um “ser extinto” e traz pertinentes questionamentos quanto ao que se considera um trabalhador padrão nos dias atuais e se ele também não estaria em extinção. Em que momento Youngstown falhou? O que os impediu de ver o que estava acontecendo? Do que adiantou o medo e a inércia frente a uma forte crise, que se iniciou econômica e se transformou em uma crise social?

Por isso tudo, fico pensando que se os trabalhadores e empresários daquela cidade, enquanto construíam riqueza, tivessem também se preocupado em construir uma sociedade mais justa e unida, provavelmente Youngstown teria tido força para se reinventar ao invés de passar décadas tentando reproduzir a história que viveu.

O que falta para aprendermos a lição?

Vimos tudo isso acontecer e essa história, tão real e sofrida, assim como outras tantas ao redor do mundo, não foram o bastante para transformarmos nossa visão dos negócios. Agora estamos vivendo uma pandemia global, dentre a tanta dor e preocupação, temos novamente a oportunidade de rever nossas condutas.

Seríamos capazes de aprender novas habilidades sociais, em ritmo acelerado, para nos reerguermos enquanto sociedade dentro de novos modelos de relações econômicas, políticas e profissionais? Seríamos capazes de rever valores, crenças, hábitos, em função da reconstrução de nossos negócios e a favor da humanidade?

Por favor, não me entenda mal. Não estou anunciando o fim do mundo, longe de mim o discurso apocalíptico, e tão pouco busco rótulos para o nome dessa transformação. Meu pensamento, na verdade, é bem pouco pretensioso.

Vamos retornar à nossa vida profissional da mesma forma?

Falo de retomarmos nossa vida profissional (sim isso acontecerá em breve) com outro olhar. Assumir uma postura mais colaborativa com aqueles que compõem a empresa, sejam nossos pares, chefes, ou chefiados. Aprender que todos, de alguma forma, são nossos clientes e como tal devem ser muito bem tratados. Acredito que se conseguirmos promover mais colaboração, criaremos ambientes mais seguros para que mais pessoas tenham coragem de expor seus pensamentos e assim surjam mais e melhores ideias de como vamos levar a empresa para seu próximo nível.

Entretanto, posso dizer que temos companhias incríveis trabalhando com modelos de negócio interessantes e que podem ser analisados, adaptados ou até mesmo copiados. Partnership, holocracia, foco em resultados, autogerenciamento, negócios sociais, propósito, inovação… Essas não devem ser palavras jogadas em um texto, ou ditas em uma palestra impactante. São conceitos importantes que deveriam balizar o retorno à nova vida!  Mas, vida que seremos capazes de construir quando a maioria estiver disposta a aprender e ensinar uma nova forma de viver seja dentro das empresas ou não.

Ambientes profissionais mais saudáveis e justos, pessoas mais satisfeitas com suas vidas profissionais, empresas produzindo e compartilhando mais riqueza e fomentando uma sociedade mais estável. Tudo isso pode vir da nossa escolha de mudar, individual e coletivamente, ou continuará acontecendo à força, por decretos, vírus ou coisa que o valha, pois já está provado que a vida nos munda quando é preciso mudar, mesmo que a gente não queira, mesmo que tenhamos medo.

Que sejamos capazes de ser e promover a mudança que queremos ver no mundo, essa é a hora!

________________________________________________________________________________

Se você se identificou com esse texto e precisa de uma ajuda para influenciar e sensibilizar seu ambiente profissional para que essas transformações aconteçam de fato, treinamentos, consultorias, palestras, workshops e mentorias, são excelentes opções oferecidas por Tatiana Livramento. Você pode saber mais sobre ela e seus serviços clicando aqui.