Ao trazer a incoerência para o centro desse texto, destaco o aumento de minha preocupação com o tema, principalmente após a pandemia instalada e a necessidade da retomada econômica e social.

São muitos os artigos publicados sobre o momento que vivemos e a necessidade de novas práticas, de um novo comportamento. Sinceramente não acredito que eu tenha muito a acrescentar sobre isso, mas não consigo me calar frente aos discursos que se desconectam da prática.

De uma hora pra outra, muitas pessoas parecem estar dispostas a mudar seus hábitos e se transformar na “melhor versão de si”. Declaram interesse por cursos online (gratuitos) e lives voltados ao despertar da consciência, do conhecimento, das habilidades comportamentais, dos processos mais modernos de gestão, da força do home office , dos riscos do home office, e tudo mais que temos visto por aí.

Da parte das empresas, promessas de transformação. A cultura do comando e controle parece até ter ficado pra trás em muitas delas. Pelo novo discurso, as pessoas serão finalmente colocadas no centro dos processos e estimuladas a entregar o seu melhor.

A palavra de ordem agora é autogestão!

Além de pertinente, é necessária toda essa mudança, acho que já passamos da hora de vê-la realmente acontecer e torço muito para que esse seja um dos grandes legados desse momento tão desafiador que estamos vivendo, mas não consigo acreditar que tantos se transformarão a ponto de percebermos o início de uma nova era para o mundo profissional.

Vejo empresas falando em necessidade de parceria, mas não são transparentes com os supostos parceiros. O discurso é de acolhimento ao funcionário, mas na prática a restrição de orçamento elimina a possibilidade de um treinamento voltado ao desenvolvimento humano ou até mesmo da aquisição de novos EPIs, mais apropriados.

O mundo digital nos foi imposto como a única saída para a retomada imediata dos negócios e com ele veio a clareza de um acesso ao cliente final que nunca foi tão direto e imediato.

Mas atenção: ainda são poucos a conseguir surfar essa onda.

A maioria ainda está perdida entre o novo discurso “politicamente correto” e a real transformação capaz de absorver e implementar. Ainda tem muita gente sonhando com o velho e bom modelo de emprego conhecido por todos.

Digo tudo isso por que, tanto as empresas quanto as pessoas, precisam se atentar para a coerência entre seus atos, suas decisões e seus discursos. Melhor um discurso menos transformador e mais verdadeiro, possível de ser realizado, do que aquele que depois não se realiza, traz frustrações e críticas.

A incoerência se prova facilmente nos detalhes, nas vírgulas, nas entrelinhas do discurso que não é posto em prática e destrói qualquer perspectiva de engajamento a uma causa.

Se você realmente acredita que esse é o momento para mudar algo, não perca tempo, peça ajuda se achar necessário, mas tenha em mente o objetivo dessa mudança. Aonde ela te levará? Isso realmente é importante PRA VOCÊ?

Busque a coerência entre suas crenças, suas descobertas, seus sentimentos, seus objetivos, e nade à vontade num mar de conquistas significativas!

Só mais uma comentário: eu adoraria ter pensado no título desse artigo sozinha, mas na verdade eu ouvi algo semelhante em alguma das diversas lives do momento e depois, ao tentar reproduzir, saiu assim. Um pouco minha e um pouco de alguém que contribuiu para o meu aprimoramento. Desta forma, sigo a constante construção do que sou e do que penso, afinal tudo que sei , aprendi com alguém.