Começo de ano, muitos sonhos, desafios, esperança e, claro, metas a serem (ou não) cumpridas. Tenho lido e ouvido muita gente tratando esse tema tão pertinente para a época e, como não quero ser repetitiva, vou te contar uma história que vai fazer você entender rapidinho a minha dica de ouro.

Criada em Ipanema, absolutamente fascinada pelo mar, sempre tive o sonho de aprender a surfar, mas ainda menina, ouvia uma série de orientações contrárias, vindas do mundo adulto e até mesmo de amigos e amigas, que me fizeram parar no velho e bom “jacaré” (prática antiga de pegar ondas sem prancha).

Cresci, fiz um monte de coisas, me casei, mudei para o interior de São Paulo, tive duas filhas lindas, sempre trabalhei muito, mas o sonho do surf nunca me abandonou e eu dizia para mim mesma:

Antes dos 50 ainda aprendo a surfar. 

Confesso que nem eu acreditava muito nessa promessa, até que completei 49 e me dei conta que o prazo estava acabando. Mais um ano de correria, compromissos, exaustão e, de repente já era junho de 2019. Meus 50 anos seriam completados no dia 29 e eu não tinha feito nada no sentido de aprender a surfar. O que antes era um incômodo passou a uma frustração e eu me vi obrigada a tomar uma atitude (tardiamente, eu sei). 

Lá pelo dia 18 de junho, entrei na internet e busquei por escolas de surf em Ubatuba. Santo Google me apresentou várias, mas uma me chamou atenção por sua headlineAprenda a surfar em 2 horas!

Peguei o telefone e liguei para falar com o Zecão, dono da escola que leva seu nome. Contei-lhe minha história e terminei assim:

Faço 50 no dia 29 e meu único dia mais ou menos livre é dia 25, uma terça-feira, se você garantir que conseguirei surfar eu vou pegar a estrada cedo e chego aí por volta das 10h.

A resposta dele foi um caloroso:

Pode vir, eu garanto!

Pronto! 

Minha meta estava traçada, inclusive atendendo os requisitos da metodologia SMART de Peter Drucker, sendo: 

eSpecífica – Aprender a surfar

Mensurável – Pegar uma onda ficando em pé na prancha sem cair até a onda acabar

Alcançável – Aprender os movimentos básicos já estaria bom

Relevante – Realização de um sonho de infância 

com a definição de Tempo Limite – Dia 25/06/2019

Entre o telefonema e a data marcada haveria uma longa semana, desgastante em muitos sentidos e confesso, mesmo atendendo aos requisitos SMART, eu percebi que tendia a não cumprir aquela meta, o que me deixaria muito mais frustrada. 

Foi então que apelei para o último e derradeiro recurso, comecei a contar para todo mundo que eu havia marcado a aula com o Zecão e, a cada olhar de incredulidade, de reprovação ou deboche, eu me abastecia de uma determinação que foi se tornando indestrutível. No dia 25, pra completar o desafio, amanheci com dor de garganta, mas com o apoio de minha torcida organizada (marido e a filha caçula) descemos para Ubatuba logo cedo. Eu mostraria ao mundo meu poder de realização.

Claro que eu não estaria contando tudo isso se eu não tivesse surfado, mas caso você tenha curiosidade em comprovar meu desempenho, assista aqui e se certifique.

Não serei uma surfista, não tenho pretensão alguma em enfrentar ondas maiores, mas é impossível traduzir o sentimento que tive quando me vi surfando, conectada com o mar e o vento, me sentindo parte daquela natureza tão exuberante, realizando algo que sempre me fascinou. 

Definitivamente eu não teria conseguindo viver essa história, ter tido tanto orgulho de mim mesma, se eu não tivesse compartilhado minha meta, se eu não tivesse me exposto, se eu não tivesse assumido um compromisso público de realização. 

É muito fácil a gente se sabotar, procrastinar, enrolar, quando ninguém sabe que estamos fazendo isso, quando nossas fraquezas estão ocultas, e por isso, essa é a minha dica de ouro para você que está começando o ano: COMPARTILHE SUAS METAS! De uma forma ou de outra, o olhar externo te ajudará a cumpri-las. 

Se gostou dessa história, que tal continuarmos este papo? Vamos nos conectar pelo Linkedin e continuamos a conversa.