Um dia desses li que o “mundo VUCA” estava extinto e confesso que achei até graça. Parei pra ler a matéria e descobri que agora vivemos o “mundo BANI”! Um pouco atordoada, me lembrei que de fato havia notícias de que o VUCA tinha evoluído para MUVUCA, mas eu tinha parado por aí.  Foi então que olhei em volta pra me certificar que estava no velho e bom Planeta Terra e pensei: VUCA – MUVUCA – BANI: Vivemos numa sopa de letrinhas?

Antes de mais nada, quero que  fique claro que dou o maior valor aos estudiosos que se dedicam a nos trazer novos conceitos. São eles que despertam a nossa atenção para as mudanças do mundo e vão registrando a nossa evolução.  Ainda assim, é importante perceber que evoluir não é, necessariamente, melhorar. Ou você nunca ouviu que um paciente evoluiu para óbito?

Você sabia que acrônimos são palavras que se formam a partir da junção das letras iniciais de outras?

Voltando à sopa de letrinhas, foi o professor Jamais Cascio, da Universidade da Califórnia, que em abril de 2020 nos trouxe o termo BANI ao publicar um interessante artigo cujo título pode ser traduzido como “Enfrentando a era do caos”.

Neste sentido, o autor forma seu acrônimo a partir das palavras:

  • Brittleness (Frágil)
  • Anxiety (Ansiedade)
  • Nonlinearity (Não linearidade)
  • Incomprehensibility (Incompreensibilidade)

Brincadeiras a parte, acho importante compreender alertas como esse do professor Cascio.

Nesse sentido, vamos voltar um pouquinho no tempo.

Anteriormente, e já há 40 anos, o mundo dos negócios e a sociedade se apropriaram do termo VUCA (em português VICA: Volátil; Incerto, Complexo e Ambíguo), utilizado pelo exército americano para explicar as incertezas vividas. Juntamente com o avanço da tecnologia passamos a nos deparar com um mar de infinitas possibilidades de conexão, o que bagunçou bastante o que até então se tinha como certo. Nesse sentido, o mundo VUCA acaba sendo a tradução de um ambiente onde tudo acontece muito rápido e o limiar entre o certo e o incerto se perde frente suas múltiplas possibilidades.

Mais recentemente, alguns especialistas acrescentaram duas características a essa definição, incluindo o M e o U, do inglês meaningful e universal.

Meaningful

Palavra que pode ser traduzida como “aquilo que tem significado” e faz todo sentido ser acrescentada à sigla. Afinal, é fácil perceber a crescente atenção das pessoas ao sentido de propósito. Se no passado não nos atentávamos ao porquê das coisas e obedecíamos com mais subserviência, atualmente até as crianças nos exigem essa clareza. As gerações Y e Z (aqueles que nasceram a partir dos anos 80) trazem isso muito forte em suas vidas e se movem a partir de seus propósitos.

Sendo assim, em maioria no mercado de trabalho e muito ativos, eles levam para seus ambientes de convívio o entendimento de que é importante significar ações e decisões.

Universal

Em inglês ou português, universal é aquilo que abrange o todo e, como estamos cada vez mais conectados e entrelaçados, percebemos o crescer de decisões que impactam o todo. É como a brincadeira com dominó, que ao empurrarmos uma pecinha, as outras vão caindo na sequência.

Como resultado, temos a atualização do mundo VUCA para o mundo MUVUCA sem tanta estranheza assim, pois me parecem palpáveis suas definições.

O mesmo, ao menos para mim, não acontece com a definição do mundo BANI, que mais me parece traduzir as consequências de se viver em um mundo MUVUCA do que definir em si uma nova realidade.

Não será só uma questão de desenvolver habilidades?

Assim, para uma realidade de maior fragilidade das coisas e dos conceitos, precisamos ter mais resiliência e mostrar mais capacidade para lidar, com mais cuidado, com o que se apresentar em nossas vidas.

A ansiedade decorrente do não saber o que está por vir não é exatamente uma novidade. Afinal, nunca soubemos nem controlamos nada e o que nos salva sempre é a presença empática do outro. Alguém que nos ofereça a atenção plena e nos ajude a tomar decisões sem a exigência do certo ou errado. Afinal, já descobrimos que muito entre um extremo e outro. Dessa forma, o não linear se apresenta como algo até obvio, mas que se conseguirmos contextualizar e tivermos a capacidade de nos adaptarmos, também não é exatamente um problema.

Por fim, falar do incompreensível é um desafio tão antigo que só se torna pertinente porque traz a tona, mais uma vez, a necessidade de transparência entre as pessoas. Seja nas empresas ou na sociedade, muito antes dessa sopa de letrinhas, precisamos sempre da verdade, da clareza. No entanto, vejo algo novo surgindo aqui quando, em universos corporativos, a intuição começa a ser citada, estimulada, aceita como uma habilidade a ser desenvolvida.

Para mim, BANI não é um “novo” mundo, são novas características do mundo que vivemos e que vem se transformando todo o tempo.

Sendo assim, reconheço as mudanças do mundo como algo constante. Seja em sua velocidade, volume de dados, acesso ou precisão, prefiro não me ater aos acrônimos. É importante estar atenta para enxergar o mundo como ele está. Se a tecnologia nos colocou nesse turbilhão de maravilhas e castigos, vamos focar nas nossas mais básicas habilidades humanas. Vamos (re)aprender a lidar com o outro a partir da nossa capacidade de amar?

VUCA – MUVUCA – BANI: Vivemos em uma sopa de letrinhas?

Agora que você já sabe que eu acredito que o importante é estarmos atentos ao mundo como ele é para que possamos nos ajustar a ele e seguir contribuindo para que seja sempre melhor,  deixo o convite para você me acompanhar no Blog https://tatianalivramento.com.br/blog/, nas redes sociais, conhecer meu site e interagir comigo, me permitindo assim fazer parte do seu dia a dia.

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